Estigma: Cervejaria brasileira Skol ofende esquizofrênicos em rede nacional.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012.
Em seu novo comercial “Enfermidades”, de 30 segundos e veiculação nacional na TV aberta brasileira, a cervejaria “Skol”, da multinacional Ambev, comete sério estigma social contra os esquizofrênicos.
No comercial, que se propõe a mostrar “enfermidades típicas do verão”, é feito trocadilhos com nomes de doenças reais. Numa das cenas, o narrador anuncia: “Skolzofrenia” e em seguida aparece um indivíduo com metade do rosto com barba, e o outro não, e onde é dito: “Tá maluco, maluco.”, entre outras coisas. “Skolzofrenia” é uma clara alusão à “Esquizofrenia”, mas a equipe de criação comete o freqüente erro, de confundir “Esquizofrenia” com “Transtorno dissociativo de identidade”, transtorno onde acontecem as múltiplas personalidades, ao contrário da “Esquizofrenia”.
Se a equipe de criação tivesse feito uma breve consulta à Wikipedia, teria lido em bom português, que “Apesar da etimologia do termo, a esquizofrenia não implica uma cisão do eu ou em transtorno de personalidade múltipla (conhecido atualmente como transtorno dissociativo de identidade), uma condição com a qual é frequentemente confundida, na percepção do público.” além de “Segundo a OMS atinge cerca de 1% (da população mundial), sendo mais comum nos países de terceiro mundo.”.
Sim, a Skol está ofendendo uma “minoria” de quase dois milhões de pessoas, somente no Brasil.
E o comercial vai mais longe. Numa cena de apenas meio segundo, o que levantam suspeitas de propaganda subliminar, exibe um indivíduo arrancando a parte superior do biquíni de uma mulher, com a boca e em público, enquanto o narrador diz “Skolzofrenia”. É visível que a mulher está sendo vítima de agressão sexual, pois além da expressão do rosto, ela esconde com uma das mãos os seios nus, e com a outra tenta puxar o biquíni que está na boca do individuo. Propaganda subliminar? Incentivo à violência sexual?
A Ambev, empresa do grupo Anheuser-Busch InBev, possui em seu portfólio marcas internacionais de cerveja, como Budweiser, Franziskaner Weissbier, Hoegaarden, Leffe, Quilmes e Stella Artois, além das marcas brasileiras Antarctica, Bohemia, Brahma e Skol, entre outras.
A criação do comercial é de um grupo de premiados publicitários: Eduardo Lima, Pedro Prado e Rodrigo Castellari, da agência “F/Nazca Saatchi & Saatchi”. O “Head of Art”, função em que se deve, entre outras coisas, analisar se não há nenhum tipo de conteúdo na peça que possa ser entendido como motivo de preconceito, é João Linneu.
O vídeo do comercial no Youtube, já teve mais de um milhão de visualizações (25/12/2012 19:00), e tal comercial será a principal comunicação da marca até o carnaval.
Finalizando, faço o seguinte questionamento: Se o estigma fosse contra um “afro descendente” ou um “indivíduo de orientação homossexual”, ao invés de um “doente mental”, a opinião pública seria também tão tolerante?
Este é o grito silencioso de um esquizofrênico, contra uma gigante multinacional.
"Skolzofrênico"
“Skolzofrênico”
João Linneu, "Head of Art" responsável pelo comercial.
João Linneu, “Head of Art” responsável pelo comercial.
Eduardo Lima, Pedro Prado e Rodrigo Castellari, equipe de criação do comercial, em entrega de prêmio internacional, em Londres.
Eduardo Lima, Pedro Prado e Rodrigo Castellari, equipe de criação do comercial, em entrega de prêmio internacional, em Londres.
Jorge Mastroizi, Maria Fernanda Albuquerque e Pedro Earp, executivos da Ambev responsáveis pela aprovação do comercial.
Jorge Mastroizi, Maria Fernanda Albuquerque e Pedro Earp, executivos da Ambev responsáveis pela aprovação do comercial.
Artigo sobre o comercial no site da "F/Nazca Saatchi & Saatchi".
Artigo sobre o comercial no site da “F/Nazca Saatchi & Saatchi”.
Matéria sobre o comercial no site do "meio&mensagem", conceituado jornal com informações do meio publicitário.
Matéria sobre o comercial no site do “meio&mensagem”, conceituado jornal com informações do meio publicitário.
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3 Comentários:

Anônimo disse...

e não é só em comerciais patéticos como este que os outros cometem preconceito contra os portadores de esquizofrenia. no convivio social também acontece essa palhaçada, pois é muito comum ver esquizofrênicos desempregados ou em empregos ruins, é comum ver eles andando totalmente sós pelas ruas, é comum verem os grupos de amigos evitando-os, é comum as mulheres que eles paqueram fazerem chacotas com eles, é comum eles serem roubados, furtados, assaltados e principais vítimas de bullying. só uma lei ou uma grande operação anti preconceito pode reverter este quadro.

Na disse...

Nossa, que absurdo!!!

Na disse...

Nossa! Que absurdo! Como pouco assisto tv, nunca tinha visto. Toda forma de preconceito deve ser banida e denunciada!

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